Biografia - Marco Elíseo Chaves Coutinho

Fazer biografia é sempre um desafio, visto que temos que abordar a multiplicidade que é um homem, isto é, todos os papeis desempenhados durante sua permanência na relação com o mundo e com o outro. E, mesmo assim, o homem é mais: ultrapassa os limites representados nos papeis sociais por ele desempenhados. Somente ele pode dizer o que ele é, e, ainda assim, será uma aproximação. Nesta perspectiva o que vou apresentar aqui é apenas uma coleta de dados desses papeis sociais, culturais e familiares do nosso homenageado, o nosso querido professor Marco Elísio Chaves Coutinho.

Marco Elísio Chaves Coutinho, nasceu em Itaúna às três horas e quinze minutos do dia 01 de dezembro de 1935. Filho do médico Antônio Augusto de Lima Coutinho e de Nair Chaves Coutinho. Assim, Marco Elísio Chaves Coutinho descende de dois grandes troncos familiares, sendo por parte de pai ouropretano, e por parte de mãe, itaunense.

Durante sua infância recebeu formação religiosa  e cultural em sua casa paterna, bem como no Grupo Escolar Augusto Gonçalves, Ginásio Sant’Anna e Colégio Normal Oficial de Itaúna. Casou-se às 10 horas da manhã do dia 04 de janeiro de 1963, com Vera Lúcia Amaral Coutinho. Deste matrimônio, nasceram os filhos Ana Cristina, Alexandre, Deborah e Luciana.

Já na década de 1950 iniciou seus trabalhos como professor, ministrando aulas no Ginásio Sant’Ana, no Ginásio Orientado para o Trabalho (Estadual) Judith Gonçalves de Santanense, Colégio Normal Oficial de Itaúna, Escola Estadual Victor Gonçalves de Souza, e, finalmente, na Universidade de Itaúna.

Foi nomeado membro da Assembleia Geral da Instalação da Universidade de Itaúna no ano de 1966, sendo mais tarde aluno do curso de Graduação em Letras nesta mesma Universidade, onde colou grau, no salão nobre da Escola Normal, no dia 14 de julho de 1972, na mesma turma do seu amigo e colega Professor José Gomes Miranda.

Em sua vida foi professor, embora ser professor não o define plenamente, isso por que o homem é sempre mais que sua profissão, dignificou a carreira do magistério. Fez o concurso para o cargo de professor no ano de 1967, onde obteve o primeiro lugar com nota 9,19, mas sua nomeação só se deu depois de muito empenho do próprio professor que teve que recorrer ao então Ministro da Educação Jarbas Passarinho, visto que o Governador do Estado, Israel Pinheiro, não o nomeava.

Após sua nomeação, no início da década de 1970, foi transferido para o Colégio Estadual, onde exerceu dignamente sua carreira. No Ginásio Sant’Anna foi professor de Ciências, Geografia, História; No Ginásio Orientado para o Trabalho de Santanense foi professor de Geografia; na Escola Normal lecionou Educação Moral e Cívica e Geografia; na Escola Estadual Victor Gonçalves de Souza foi professor de Inglês e na Universidade de Itáuna lecionou Cultura Brasileira, Literatura Brasileira, Estudos dos Problemas Brasileiros e Sociologia.

Durante todo o período em que desenvolvia suas atividades profissionais como professor atuou de forma significativa na vida cultural, política, religiosa e social da cidade. Foi Secretário da Educação, Secretário Executivo da Fundação de Cultura, Desportos e Turismo de Itaúna e Presidente do CODEMA-Itaúna. Realizou os estudos preliminares sobre o Projeto de Organização do Serviço de Água e Esgoto de Itaúna e participou de modo efetivo do Projeto “Itaúna – Cidade Educativa” em 1975. Participou ativamente de programas televisivos, como a Tribuna Independente da Rede Vida e como presidente da comissão do Programa “Mineiros Frente a Frente” na então TV Itacolomi, e ainda contribuiu com inúmeros jornais da cidade. Neste sentido, podemos afirmar que o setor de Cultura de Itaúna lhe é devedora de significativa contribuição, principalmente dos tempos áureos da Fundação de Cultura, tempo dos melhores carnavais da cidade, não desmerecendo as Exposições de Orquídeas e a grande festa popular do Reinado.

Foi palestrante em eventos industriais e educacionais com temas como “A Importância do ser humano”, “Psicologia Aplicada à Educação” e sobre o meio ambiente em várias escolas e entidades de classe e indústrias. Destacamos, no entanto, que a “ecologia” foi e continua sendo uma das grandes paixões do professor Marco Elísio, sempre defendendo a bandeira do desenvolvimento sustentável, tratando a natureza e o meio ambiente com a mesma dignidade de criatura do mesmo Criador.

No campo religioso teve atuação constante e profícua na vida da Igreja, atuando como ministro da eucaristia por longos anos, amigo dos padres e devoto fervoroso de Maria, a Mãe de Jesus, tornando inclusive conhecido como o maior construtor de grutas de Itaúna. Sua devoção a Virgem Maria o fez publicar obras sobre suas aparições pelo mundo afora, bem como obras sobre a devoção do Santo Rosário.

A formação familiar e religiosa sempre esteve acompanhada com a responsabilidade social e a crença na importância da formação do espírito humano. E é por esta herança familiar e religiosa, associada a dimensão e o compromisso social é que podemos caracterizar o nosso homenageado, Marco Elísio Chaves Coutinho, assim como Miguel Augusto Gonçalves de Souza o fez, como um humanista. Mas o humanista Marco Elísio tem suas características peculiares, que o torna único entre tantos humanistas. Dentre estas peculiaridades destacamos a de  irreparável sonhador.

O que é o mundo se não for os sonhos do homem? E o que seria da humanidade se não daqueles que tenham a coragem de sonhar? Em um dos discursos mais belos da humanidade, Charles Chaplin, em o Grande ditador, de 1940, não só dizia, mas sonhava:

“Gostaria de ajudar a todos, se possível, judeus, gentios, negros, brancos. Todos nós queremos ajudar-nos uns aos outros, os seres humanos são assim. Todos nós queremos viver pela felicidade dos outros, não pela miséria alheia. Não queremos odiar e desprezar o outro. Neste mundo há espaço para todos e a terra é rica e pode prover para todos.”

Em outra parte deste mesmo discurso, Charlin Chaplin continua em seu sonho discursivo:

“(…)Não se desesperem”.

 A desgraça que está agora sobre nós não é senão a passagem da ganância, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano: o ódio dos homens passará e os ditadores morrem e o poder que tiraram ao povo, irá retornar ao povo e enquanto os homens morrem [agora] a liberdade nunca perecerá….

Não se entreguem a esses homens artificiais, homens-máquina, com mentes e corações mecanizados. Vocês não são máquinas. Vocês não são gado. Vocês são Homens. Vocês têm o amor da humanidade nos vossos corações. Vocês não odeiam, apenas odeia quem não é amado. Apenas os não amados e não naturais. Soldados: não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade.”

No entanto, os sonhadores nem sempre são compreendidos, e quase sempre ridicularizados. Pela virtude e pela ousadia de sonhador, Marco Elísio, recebeu de críticos, no final da década de 1970, a alcunha de “Mente Cor de Rosa”. Sabemos que esta alcunha, por algum tempo lhe incomodou, mas ter uma “Mente Cor de Rosa” representa, acima de tudo, esta ousadia de sonhar, sonhos possíveis e impossíveis, em um mundo que cada dia tenta cercear nossos sonhos através de uma política de consumo exacerbado.

Diante disso, elogiamos e valorizamos sua “Mente Cor de Rosa”, ela nos inspira, não somente a nós da Academia, mas podemos afirmar, sem medo de errar, de todos os seus amigos mais próximos. Como prova desta inspiração, termino este pequeno texto biográfico com um poema de Elina Dirce denominado de “O Mente Cor de Rosa”. Afinal, sonhar é que nos faz seguir em frente e realizar. Sonhar é que nos faz humanos.

O “MENTE-COR-DE-ROSA”
(Elina Dirce)

Disse alguém:
_ “A realidade de hoje
É o sonho sonhado ontem.
E como criticam dos sonhadores!…”

Ele sonhava alto, sonhava grande!
(Creio que sonha até hoje!
Sonho não tem barreiras
De espaço, tempo, ou idade.)

Apelidaram-no “Mente-cor-de-rosa”.
Mente rosa…
Rosa rosa: sinceridade,
Transparência de intenções,
Lisuras de atitudes.

Rosa vermelho: ardor,
Entusiasmo e animação
Pra grandes realizações.

Rosa azul: serenidade,
Céu de abril, olhar para cima,
Pra ir alto, longe, além…

Rosa preto: o caos
Por ele compreendido
Como ponto de partida
Pra séria renovação.

Rosa laranja: amadurecimento,
Certeza de que se é capaz,
De que há outros que também acreditam.

Rosa amarelo: luz
Pra iluminar os caminhos
Que os outros irão trilhar.

Rosa branco: tranquilidade,
Paz, saber compreender
Pra outros encaminhar.

Rosa verde: esperança,
Esverdear a cidade,
Plantar árvores nas ruas,
Preservar a ecologia,
Espalhar a segurança
De que ainda se poder viver
Com saúde, com alegria.

Mente cor-de-rosa…
Rosa de todas as cores,
Que o mundo é colorido…
Rosa cor do arco-íris,
Prenúncio de grande bonança,
Realizar todo sonho…

Mente cor-de-rosa:
Ah! Quem nos dera, a cada dia,
Topar em nosso caminho
Para um dedinho de prosa,
O “Mente-cor-de-rosa”!…

A luta era mais amena,
A vida bem mais serena…
Mente-cor-de-rosa só ordena:
(com licença, Fernando Pessoa!)
– “Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.”

 

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