Em Reunião Festiva – AILE apresenta a Poesia Inusitada de Manoel de Barros

 

No último dia 07 de dezembro de 2019, os integrantes da AILE – Academia Itaunense de Letras recebeu convidados para sua reunião festiva. Na oportunidade o acadêmico prof. Geraldo Phonteboa apresentou um pequeno estudo sobre a poesia de Manoel de Barros, com o título “A poesia inusitada ou o inusitado na poesia de Manoel de Barros”. Como parte integrante de sua exposição o acadêmico destacou a importância do uso de metáfora na composição poética. Salientou que existe dois tipos de metáfora: as convencionais e as complexas ou inventivas. Assim todos os poetas, em seu fazer poético, utilizam-se das metáforas convencionais por se tratar de metáforas de fácil compreensão pelo leitor. No entanto, os grandes poetas utilizam-se, além das metáforas convencionais, das metáforas inventivas. E é justamente pelo uso das metáforas inventivas que se tornam grandes poetas.

Manoel de Barros (1916-2014) utilizou com maestria das metáforas inventivas. E é o uso desta metáfora que transforma sua poesia em inusitada; inventiva; que surpreende o leitor e o faz repensar seus padrões. Este “inusitado” da poesia de Manoel de Barros pode ser observado nos versos abaixo

“Vi um incêndio de girassóis na alma de uma lesma”*

O inusitado deste verso está, não no “incêndio de girassóis”, pois aqui está uma metáfora convencional, mas ao ver este “incêndio de girassóis” na “alma de uma lesma” é completamente inusitado. Aqui esta a metáfora inventiva, que traz e realiza o impossível.

O mesmo pode ser visto em outros poemas deste poeta inventivo. A titulo de provocação vamos a mais um verso

Imprestável seria: um pássaro

Ter corola?

Um beija-flor de rodas vermelhas?

E as aves que sonham pelo pescoço?**

Assim a poesia de Manoel de Barros é uma convite para “voar fora da asa”***.

Após este estudo poético, que contou com grande participação dos presentes, os acadêmicos deram continuidade à festividade de fim de ano com um delicioso e fraterno almoço na Churrascaria do Trevo.


* BARROS, Manoel de. Concerto a céu aberto para solos de ave. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991
** BARROS, Manoel de. O guardador de águas. São Paulo: Art Editora, 1989.
*** BARROS, Manoel de. O livro das ignorãças. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994
 

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